Fernanda Sonoda, a mente por trás da marca

O maximalismo como língua materna
Fernanda Sonoda desenha acessórios como quem recusa a ideia de passar despercebida. CEO e designer da Santa Miçanga, ela ama o maximalismo desde menina e nunca escondeu a implicância com a peça discreta, comportada, feita para não ser notada. Na mão dela, o acessório não acompanha o look: ele é o protagonista. A mesma roupa diz coisas diferentes conforme o que se pendura nela, e é nesse detalhe que mora o trabalho dela.
A marca nasce desse gosto antes de nascer de qualquer plano. Qualquer coisa que a encante pode virar peça: um tucano, uma banana, uma costela-de-adão, um escaravelho, uma lagosta. A seleção não passa por tendência, passa pelo olho. Fernanda trabalha com acrílico há cerca de 25 anos, hoje usa resina na maior parte das peças, mas resume a identidade da Santa Miçanga numa frase só: a alma é mesmo a mistura dos materiais.
A alma da Santa Miçanga é
mesmo a mistura dos materiais.
Interessância, a palavra que ela inventou para o que faz
Fernanda chama de interessância o que acontece quando texturas de pesos diferentes se encontram numa mesma peça. Misturar resina, metal banhado, miçanga e elemento natural não é enfeite, é informação: mostra intenção, revela que houve escolha. Vale para a peça e vale para o look inteiro. Um braço cheio, com pulseiras que não combinam entre si à primeira vista, diz mais do que um empilhamento de iguais. A regra, a única, é usar só o que se ama de verdade. O resto vira fantasia.
Brasilidade sem pedir licença
Para Fernanda, o Brasil é maximalista por natureza, e o minimalismo é empréstimo. O clean, o todo mundo vestido igual, veio de fora e apaga o que o país tem de mais seu: a diversidade de tons de pele, de corpos, de cabelos, de flora, de fauna, de religiões. É isso que ela tenta traduzir em cor e volume. Daí os olhos gregos, os búzios, os patuás que voltam coleção após coleção. As peças da Santa Miçanga são, antes de bijuteria, pequenos amuletos, proteção que cada um escolhe carregar, no espírito do sincretismo brasileiro, onde fé e adorno sempre andaram juntos.
Um ateliê que não para
A criação é quase diária. Fernanda às vezes acorda de madrugada com uma ideia, e é criar que a mantém ligada. A marca lança novidades duas a três vezes por semana, e algumas peças ficam guardadas para estrear ao lado de outras. O rumo, ela deixa claro, é um só: menos tendência, mais atemporalidade. Mais cor, mais volume, mais mistura, mais personalidade.
